JÚLIA CARNEIRO LEÃO DE VASCONCELOS
Júlia Carneiro Leão de Vasconcelos nasceu em Granja-CE, no dia 7 de setembro de 1880.
Filha do dr. Antônio Augusto de Vasconcellos e de Cesarea Carneiro Leão de Vasconcelos.
Sócia efetiva do Instituto do Ceará, tomou posse em 05.06.1930, sendo a primeira mulher admitida na instituição.
Foi professora da Escola Normal do Ceará, cuja tese para o concurso da cadeira de Geografia e Cosmografia foi “Oceano e seu papel na harmonia do globo. América Meridional (parte physica). Esfera celeste e coordenadas”.
Escreveu para diversos jornais.
Tratando da oposição de alguns sócios efetivos ao ingresso de Júlia Vasconcelos no Instituto do Ceará, a sócia efetiva Zélia Camurça, em discurso pronunciado sobre o tema A presença da mulher – a educação da mulher, na Revista do Instituto do Ceará, assim se manifestou: “Júlia Vasconcelos sofre no heroísmo do silêncio e na elegância de maneiras a suprema afronta aos seus grandes dotes intelectuais, a suprema ignomínia à sua excelsa feminilidade. Mulher inteligente e culta, para quem o Português, o Francês, o Inglês, o Alemão, a História, a Geografia e a Literatura lhe são familiares desde os 14 anos; profunda na sua especialidade e dona de um estilo formoso, mas senhora de casa ilustre – esclarecida por nascimento e por méritos mercê de uma educação esmerada – revida. Revida, porém, com seus labores científicos, os magisteriais, e com os seus pensamentos, atos e palavras a serviço da educação. Não retorna ao Instituto (R.I.C., 1930-1950). A dor deste momento, já de si doloroso pelo luto que o envolve, o amor-próprio, ferido na profundeza de sua alma grandiosa, circunstâncias outras, não sabemos o porquê. Sua presença passa a ser notada através de trabalhos publicados na Revista do Instituto e de correspondência enviada à Secretaria e aos membros em particular. O discurso de posse versa sobre a posição da Geografia no contexto das Ciências Sociais e a importância e necessidade de uma carta geográfica nacional”.
Faleceu no Rio de Janeiro, dia 20 de janeiro de 1951.
Obras publicadas: Memória histórica (peça de alto teor educacional); Oceano e seu papel na harmonia do Globo – Esfera celeste e coordenadas; Uma valiosa unidade brasileira; A ilha Sylt e os insulares.
Fonte: STUDART, Guilherme. Diccionário Biobibliografico Cearense. CAMURÇA, Zélia Sá Viana. Revista do Instituto do Ceará. 1968. p. 183-210. A presença da mulher – a educação da mulher.
